Em seu livro de estréia, Ana Laura Nahas, jornalista e escritora, deixa claro que a vida continua, é imutável quando se trata de colisões e desentendimentos e que são os percalços que fazem as coisas acontecerem de fato, e eles são muitos. Como não poderia deixar de ser, sua relação com o mundo está cravada nas páginas de Todo Sentimento, compilação das crônicas veiculadas em A Gazeta e num blog pessoal.
Agrupadas por temas, Os amores, As escolhas, A imaginação, As palavras e O tempo, os textos são de um capricho textual impossível de botar defeito; Ana escreve muito bem, suas escolhas estilísticas são acertadas, é o que valida a leitura. O livro da cronista tem alguns momentos infelizes e isso fica mais claro com a repetição dos temas e abordagens. Um livro menininha, de interrogações abundantes que dispersam o que naturalmente é o símbolo da continuidade imposta por um texto na relação escritor/leitor - o poder apaixonante de provocar indagações involuntárias.
Todo Sentimento é um desses livros que te saciam rápido, mas no final das contas o fim da leitura deixa um vazio muito grande, a sensação de incompletude mesmo com a ausência de reticências. Por serem semanais, as crônicas talvez dispersassem essa sensação. E entusiasmassem o leitor por isso mesmo, por terem a função de engessar a cada nova semana um obstáculo. São textos para o dia a dia, de degustação rápida, para o leitor atento à escrita da autora. Mas quando unidos e, principalmente, da forma como foram agrupados, perdem muito do seu poder de cativar pelo inusitado de situações cotidianas, dores e referências que transbordam no texto.
132 p., 2009.